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A Conversão de Paulo

À esquerda: Saulo de Tarso, a "fera assassina", com uma expressão dura e empunhando correntes, representando a devastação, a perseguição e o legalismo que você menciona. À direita: Paulo, o "religioso em recuperação", ajoelhado, com correntes quebradas ao chão, envolto por uma luz suave e divina que simboliza a revelação da graça e o amor incondicional de Deus.
À esquerda: Saulo de Tarso, a “fera assassina”, com uma expressão dura e empunhando correntes, representando a devastação, a perseguição e o legalismo que você menciona. À direita: Paulo, o “religioso em recuperação”, ajoelhado, com correntes quebradas ao chão, envolto por uma luz suave e divina que simboliza a revelação da graça e o amor incondicional de Deus.

Ao ler o relato da conversão do Apóstolo Paulo em Atos 9:1-6, quero dar ênfase aos versículos 3, 4 e 5, quando Jesus se revela a Saulo naquele que deve ter sido um momento de profunda contrição e impacto.

É importante notar que, em Gálatas 1:13, o texto afirma que Paulo não apenas perseguia a igreja de Deus, mas a devastava. Já em Atos 9:21, vemos que ele exterminava os que invocavam o nome de Jesus em Jerusalém. Saulo agia com a fúria de um perseguidor implacável.

Como ele mesmo descreve:

“…circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.”

Filipenses 3:5-6

Diante de todo esse histórico de convicção e rigor, eu me pergunto: como terá sido a sua reação real e detalhada quando Jesus se revelou a ele?

Uma mudança de entendimento

Entendam: Paulo não estava se convertendo da forma que muitos de nós nos convertemos. No livro Teologia do Novo Testamento (p. 347), George Eldon Ladd observa sabiamente:

“Saulo não foi convertido da descrença para a fé, do pecado para a retidão, da falta de religião para a religião, nem mesmo de uma religião para outra… Ele foi convertido de um entendimento de retidão para outro — de sua própria retidão de obras para a retidão de Deus pela fé.”

A partir dali, Paulo compreendeu que a justiça é alcançada pela fé, enquanto muitos em Israel não a alcançavam porque a buscavam por meio das obras.

O perigo do legalismo

Eu, Moisés, não nasci “no Evangelho”. Mas muitos nasceram. E mais do que terem nascido em berço cristão, muitos viveram — e alguns ainda vivem — uma vida legalista e ativista, acreditando estar cumprindo a vontade de Deus quando, de repente… encontram a verdadeira conversão.

Nesse momento, descobre-se que se viveu uma vida inteira baseada em regras humanas: o “não pode isso”, “não pode aquilo”, as restrições sobre bater palmas, jogar futebol ou o uso de instrumentos no púlpito. Pessoas que, por vezes, não aceitam líderes que consideram “menores”, ou que possuem cores de pele diferentes, ou que cometeram pecados que eles julgam inaceitáveis — como se eles próprios não fossem pecadores.

Essa conversão causa uma imensa contrição. É o choque de perceber que se passou uma vida orando, louvando e adorando sob uma perspectiva equivocada. Acredito que Paulo tenha se “destruído” por dentro ao constatar que aquele Jesus a quem ele perseguia e exterminava era, para sua surpresa, o Deus a quem ele achava que servia. Como no poema Deus Negro, de Neimar de Barros, ele descobriu que perseguia o Deus que tanto amava e achava que o obedecia.

O legalismo é destruidor. Citando Francine Walsh (autora de Legalistas em Recuperação) no podcast Jesus Copy: imagine se sua filha fizesse todas as tarefas de casa e perguntasse: “Mãe, eu já limpei meu quarto, você me ama agora?”. É assim que muita gente age, acreditando que o amor de Jesus é condicionado ao “fazer” dentro da igreja. Não compreendem que não há nada que possamos fazer para que Jesus nos ame mais, e nada que façamos fará com que Ele nos ame menos. Ele simplesmente nos ama de forma plena e inabalável.

Do perseguidor a perseguido

Após o encontro com Cristo, as escamas do legalismo caíram. Paulo “soltou a pedra” e descobriu que o amor de Deus não pode ser comprado. Ao receber o Espírito Santo, tornou-se o maior exemplo de conversão radical, pregando imediatamente que “Jesus é o Filho de Deus” (At 9:20) e, como o próprio Jesus disse a Ananias, “aprendendo o quanto seria necessário sofrer pelo Seu nome” (At 9:16).

Antes, ele talvez não entendesse por que os cristãos perseveravam em meio às aflições. Mas, agora ele afirma:

“Quero que saibais, irmãos, que as coisas que me aconteceram contribuíram para o avanço do evangelho.”

Filipenses 1:12

Mas que coisas foram essas? Parafraseando agora Hernandes Dias Lopes:

  • Foi perseguido em Damasco (At 9:23-25);
  • Rejeitado em Jerusalém (At 9:26-29);
  • Apedrejado em Listra (At 14:19);
  • Açoitado em Filipos (At 16:22-23);
  • Escorraçado em Tessalônica (At 17:5-10);
  • Enxotado de Beréia (At 17:13-14);
  • Chamado de tagarela em Atenas (At 17:18) e de impostor em Corinto (At 18:13);
  • Enfrentou feras em Éfeso (1Co 15:32);
  • Foi preso em Jerusalém (At 21:27-33);
  • Acusado em Cesaréia (At 24);
  • Enfrentou um naufrágio pra Roma (At 27);
  • Picado por uma cobra em Malta (At 28:3-6);
  • Ficou em Roma preso e algemado (At 28:16-30).

Mesmo assim, afirmava com autoridade que todas essas coisas cooperaram para o progresso do Evangelho. Ele enfrentou tudo isso com a certeza da soberania de Deus. Ele sabia que quem dirigia seu destino era o Senhor.

O fim da carreira

Avançando na história, chegamos ao ano de 64 d.C. Roma é incendiada. Uma maior perseguição e matança é promovida por Nero, o verdadeiro causador do incêndio. Paulo é capturado e, nos seus últimos dias, escreve ao seu filho na fé:

“Quanto a mim, já estou sendo derramado como oferta de libação… Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”

2Tm 4:6-7

Mesmo desamparado por homens como Demas, e enfrentando a oposição de Alexandre, o latoeiro (ou ferreiro), Paulo termina sua jornada afirmando:

“O Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu.”

Filipenses 2:17a

Amados, “não façamos nada por rivalidade nem por orgulho, mas façamos tudo com humildade, e assim, cada um de nós consideremos os outros superiores a nós mesmos(Fp 2:3).

Paulo é um grande exemplo para que “sejamos seu imitadores assim como ele foi imitador de Cristo(1Co 11:1); realmente “combateu o bom combate, terminou a carreira e guardou inigualavelmente a sua fé(2Tm 4:7); “viveu Cristo e lucrou em sua morte” (Fp 1:21); e, finalmente esse “pardal encontrou sua casa” (Sl 84:3).

Amemos a vinda de Cristo, para que a coroa da justiça também nos seja reservada e que nos seja dada pelo Senhor, o justo juiz, naquele dia.”

2Tm 4:8

Amém.

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